Por que o rolamento novo falha tão rápido? 5 causas comuns
Trocou o rolamento e o problema voltou?
Por que o rolamento novo falha tão rápido? Essa é a pergunta que aparece quando a manutenção troca a peça, libera a máquina e, poucos dias ou semanas depois, o ruído volta, a temperatura sobe ou a vibração reaparece.
Antes de pedir outro rolamento e repetir o mesmo serviço, vale investigar o que aconteceu dentro do conjunto. Muitas vezes, a peça nova não foi a verdadeira causa do problema. Ela pode ter sido montada com força no anel errado, recebido lubrificação inadequada, trabalhado em um eixo desgastado ou enfrentado uma condição diferente daquela prevista na aplicação.
No chão de fábrica, trocar o rolamento sem descobrir por que o anterior falhou é correr o risco de colocar uma peça nova no mesmo problema.
Neste artigo, vamos mostrar 5 causas comuns que fazem um rolamento novo falhar antes da hora e o que precisa ser conferido antes da próxima troca.
Depois da troca, a máquina não deveria voltar a trabalhar já fazendo barulho, muito menos começar a apresentar ruído poucos dias depois. Quando isso acontece, a pergunta não é apenas qual rolamento comprar. É preciso descobrir por que a peça está falhando.
Causa 1: força aplicada no anel errado
Rolamento não é peça para entrar na pancada. Em alguns casos, o ajuste entre o rolamento e o eixo ou o alojamento é apertado e exige pressão para a peça encaixar. O problema começa quando essa força é aplicada no lugar errado. Ela precisa ser direcionada ao anel que está sendo ajustado: se o rolamento entra no eixo, a pressão deve atuar no anel interno; se entra no alojamento, deve atuar no anel externo.
Enquanto, por fora, o rolamento continua parecendo novo, a instalação é finalizada e a máquina é liberada. Mas, depois de algumas horas ou dias, começam o ruído, a vibração e o aquecimento. É claro que a primeira suspeita costuma cair sobre a peça, que pode ter vindo com defeito. Mas, em alguns casos, ela foi danificada durante a própria montagem.
Por isso, alguns vilões da montagem precisam ser evitados desde o começo:
Esses três erros juntos são a receita certa para marcar as pistas, danificar a vedação, deformar a gaiola ou deixar o conjunto trabalhando fora da condição correta. O rolamento pode até entrar no lugar e a máquina pode voltar a funcionar, mas o dano já ficou escondido dentro da montagem.
Regra prática: a força de montagem precisa entrar pelo anel que está sendo ajustado. Se o rolamento entra no eixo, pressione o anel interno. Se entra no alojamento, pressione o anel externo.
Quando houver dúvida, use a ferramenta e o método indicados para aquela montagem. Em alguns casos, pode ser necessário usar prensa, aquecimento controlado ou outro procedimento específico, sempre conforme a orientação do fabricante e as condições da aplicação. O importante é não transformar a instalação em uma disputa entre a peça e o martelo.
Causa 2: eixo ou alojamento fora da condição
Às vezes, o rolamento novo entra na máquina no lugar certo, mas encontra um eixo marcado, gasto ou fora da medida. Em outros casos, o problema está no alojamento, que pode estar ovalizado, riscado ou com a medida alterada depois de muito tempo de trabalho.
A peça nova não consegue corrigir o que já estava errado no conjunto. O problema pode ficar escondido nas medidas e nas marcas das peças ao redor. O eixo gasto não segura o anel interno como deveria. O alojamento danificado deixa o anel externo trabalhar com movimento. A olho nu, tudo parece montado, mas o rolamento começa a trabalhar fora da posição correta desde o primeiro giro.
Por isso, antes de colocar outro rolamento no mesmo lugar, é importante conferir:
Quando o eixo está gasto, o anel interno pode não ficar preso como deveria. Quando o alojamento está danificado, o anel externo pode trabalhar com movimento ou folga. Em vez de girar somente onde deveria, o conjunto começa a se mexer e a gerar calor, desgaste e vibração.
Trocar o rolamento sem conferir o eixo e o alojamento pode ser apenas trocar a vítima.
Esse é um dos motivos pelos quais o rolamento novo pode falhar rapidamente. A peça pode ser original, estar dentro da especificação e ter sido instalada corretamente, mas ainda assim trabalhar mal porque o conjunto ao redor não está em condição de receber outra peça.
Regra prática: Antes de instalar outro rolamento, confira onde ele vai trabalhar. Eixo marcado, alojamento danificado ou ajuste fora da condição podem fazer a peça nova repetir a falha da anterior.
Se a mesma posição apresenta problema várias vezes, não peça apenas “outro rolamento igual”. Separe a peça que falhou, registre as marcas encontradas e peça para a manutenção avaliar o eixo, o alojamento e o alinhamento antes de liberar uma nova montagem.
Causa 3: lubrificação insuficiente, excesso de graxa ou produto inadequado
Graxa não é detalhe e também não é remédio para qualquer problema. O rolamento precisa do lubrificante adequado, na quantidade adequada e dentro de um intervalo de relubrificação que faça sentido para aquela aplicação. Quando uma dessas condições sai do lugar, a peça começa a trabalhar em desvantagem.
Com pouca graxa, as superfícies metálicas perdem parte da proteção. O atrito aumenta, a temperatura sobe e o desgaste acelera. Em alguns casos, o rolamento começa a fazer barulho antes mesmo de apresentar um dano visível.
Mas o excesso também pode causar problema. Quando há graxa demais dentro do espaço de trabalho, os corpos rolantes precisam deslocar esse material a cada volta. O arrasto aumenta, a temperatura sobe e o lubrificante pode se degradar mais rapidamente. Esse fenômeno é conhecido como churning.
Também existe a escolha inadequada do produto. Uma graxa que funciona bem em um motor elétrico pode não ser a melhor opção para um ambiente com água, alta temperatura, carga elevada ou baixa rotação. Misturar graxas sem confirmar a compatibilidade também pode alterar a consistência do lubrificante e reduzir a proteção do rolamento.
Água, lavagem com jato direto e vedação comprometida também podem contaminar a graxa. Esse problema aparece com frequência em aplicações agrícolas, como explicamos no artigo Por que o 22218 morre soterrado e o 22315 aguenta.
Antes de concluir que o rolamento novo “não presta”, confira:
Trocar a graxa também não corrige automaticamente um rolamento que já foi danificado. Se a peça trabalhou com falta de lubrificação, excesso, contaminação ou produto incompatível, as pistas e os corpos rolantes podem já ter sofrido desgaste.
Regra prática: não é só colocar graxa. É usar o produto correto, na quantidade correta e no momento correto.
Se o rolamento novo falhou cedo demais, também vale conferir a origem da peça. Como mostramos no artigo sobre como identificar um rolamento falsificado, uma aparência bonita e uma embalagem bem feita não garantem que o produto tenha trabalhado nas condições esperadas.
Antes de condenar a peça, confira a graxa, o método de aplicação e a condição do conjunto. A lubrificação pode ter sido a causa da falha ou pode estar apenas mostrando que existe outro problema na montagem, na vedação, no eixo ou na aplicação.
Causa 4: contaminação por água, poeira ou partículas
Rolamento gosta de trabalhar protegido. Quando água, poeira, areia, cavaco ou partículas metálicas entram no conjunto, a peça começa a trabalhar com um problema que não estava no projeto original.
A contaminação pode entrar pela vedação danificada, por uma tampa mal posicionada, durante uma montagem em ambiente sujo ou até pela lavagem com jato direto. Em aplicações agrícolas, industriais e externas, esse risco aumenta porque o rolamento fica exposto a água, terra, barro e resíduos do próprio processo.
A água pode remover parte da proteção da graxa e favorecer a corrosão. A poeira e a areia podem circular entre os corpos rolantes e as pistas, criando riscos e desgaste. Já as partículas metálicas podem funcionar como uma lixa dentro do rolamento, acelerando o dano a cada volta.
A própria SKF orienta observar a condição da graxa, das vedações, das pistas e dos corpos rolantes durante a inspeção, porque ruído, vibração, aquecimento e marcas de desgaste podem estar relacionados à contaminação do conjunto. Você pode consultar as orientações da SKF sobre inspeção e monitoramento de rolamentos.
Antes de instalar outro rolamento, confira:
Um erro comum é limpar tudo por fora, colocar um rolamento novo e acreditar que o problema terminou. Mas, se a causa da contaminação continua ali, a peça nova começa a trabalhar no mesmo ambiente que danificou a anterior.
Regra prática: se a sujeira entrou uma vez, descubra por onde ela passou. Trocar o rolamento sem corrigir a entrada de água, poeira ou partículas é preparar a próxima falha.
Também é importante não culpar automaticamente a vedação do rolamento.
A contaminação pode entrar por outros pontos do conjunto, como:
Se a graxa antiga saiu com água, areia ou brilho metálico, guarde uma amostra ou registre o estado encontrado antes de descartar a peça. Essas marcas ajudam a entender o que aconteceu e a evitar que o próximo rolamento seja instalado no mesmo problema.
Causa 5: aplicação ou especificação fora do previsto
Às vezes, o rolamento não é falsificado, não foi montado com pancada e não está trabalhando com graxa contaminada. Mesmo assim, ele falha rápido porque a peça escolhida não combina com o trabalho que a máquina está exigindo.
O código pode parecer correto, entrar no eixo e começar a girar. Mas será que a carga é a mesma? A rotação mudou? A temperatura do ambiente está dentro do previsto? Existe impacto, vibração, água ou poeira em excesso? O rolamento trabalha com a folga e a vedação adequadas para essa aplicação?
Um rolamento pode ser original e estar em perfeito estado, mas ainda assim ser inadequado para aquela condição de trabalho. Não basta a medida encaixar. A peça precisa suportar o esforço que vai receber.
Antes de culpar o rolamento, confira:
É comum alguém pedir “um rolamento igual a este” e receber uma peça com a mesma medida externa, mas com configuração diferente. Pode mudar a folga, a vedação, o material da gaiola, a capacidade de carga ou a velocidade de trabalho. Na bancada, os dois parecem quase iguais. Dentro da máquina, podem trabalhar de maneiras muito diferentes.
Por isso, quando a aplicação não estiver clara, vale envolver um fornecedor de rolamentos que saiba interpretar o que a manutenção pediu. O fornecedor não precisa apenas localizar uma peça no estoque. Precisa ajudar a conferir se o código, a configuração e a condição de trabalho fazem sentido juntos.
Regra prática: medida igual não significa aplicação igual. Antes de repetir o mesmo código, confira o que o rolamento precisa suportar dentro da máquina.
Também é importante observar quando o mesmo rolamento falha sempre no mesmo equipamento. Se a peça nova apresenta o mesmo problema pouco tempo depois, talvez a aplicação esteja exigindo mais do que o conjunto consegue suportar. Nesse caso, trocar novamente pelo mesmo código pode apenas reiniciar a contagem até a próxima falha.
Essas informações ajudam a separar uma peça realmente inadequada de um problema de montagem, lubrificação, contaminação ou condição do conjunto.
Rolamento correto não é apenas aquele que entra no lugar. É aquele que consegue trabalhar no lugar em que foi instalado.
O que informar antes de pedir outro rolamento.
Se a peça falhou cedo, não envie apenas uma mensagem dizendo “preciso de outro igual”. Envie o código completo, uma foto do rolamento que falhou, a aplicação, a rotação, a carga aproximada e o ambiente de trabalho.
→ quanto tempo o rolamento trabalhou;
→ se apresentou ruído, vibração ou aquecimento;
→ qual era a condição da graxa;
→ se entrou água, poeira ou outra contaminação;
→ se o eixo ou o alojamento apresentavam marcas;
→se houve alguma mudança recente na máquina.
Quanto mais completa for a informação, menor a chance de a compra ser baseada apenas em uma medida ou em um código parecido. E, se houver mudança de marca, vedação, folga ou configuração, confirme essa alteração antes de liberar a montagem.
Pedir “outro igual” pode repetir o problema. Informar como a peça trabalha ajuda a encontrar o rolamento adequado.